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Fortaleza Homo Infimus

Fortaleza


Ao longe, em brancas praias, embalada
Pelas ondas azuis dos verdes mares,
A Fortaleza - a loura desposada
Do sol - dormita, à sombra dos palmares.

Loura de sol e branca de luares,
Como uma hóstia de luz cristalizada
Entre verbenas e jardins pousada
Na brancura de místicos altares.

Lá canta em cada ramo um passarinho,
Há pipilos de amor em cada ninho,
Na solidão dos verdes matagais.

É minha terra, a terra de Iracema,
O decantado e esplêndido poema,
De alegria e beleza universais!

Paula Ney

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Homo Infimus


Homem, carne sem luz, criatura cega.
Realidade geográfica infeliz,
O Universo calado te renega
E a tua própria boca te maldiz!

O nôumeno e o fenômeno, o alfa e o omega
Amarguram-te. Hebdômadas hostis
Passam... Teu coração se desagrega,
Sangram-te os olhos, e, entretanto, ris!

Fruto injustificável dentre os frutos,
Montão de estercorária argila preta,
Excrescência de terra singular.

Deixa a tua alegria aos seres brutos,
Porque, na superfície do planeta,
Tu só tens um direito: o de chorar!

Augusto dos Anjos
-----Voltar ao início----- gobbo@gobbo.com.br

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